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Roupa de neve na volta da viagem: como lavar e guardar

A viagem para a neve acabou, a mala voltou cheia e o casaco de esqui foi parar no fundo do armário. Para muita gente, ele só sai de lá no próximo inverno. É nesse intervalo, e não na pista, que a maior parte das roupas de neve se estraga.

A procura por esse tipo de viagem só cresce. Bariloche recebeu cerca de 54,9 mil turistas brasileiros no último inverno e espera superar 65 mil em 2026, segundo reportagem do Diário do Grande ABC. Somando Valle Nevado, Ushuaia e as estações europeias, são milhares de jaquetas, calças impermeáveis, segundas peles e luvas que voltam para casas brasileiras todo ano.

E voltam para um clima que não foi pensado para elas. Calor e umidade alta são o oposto do ambiente frio e seco das montanhas. O que se faz nas primeiras semanas depois do desembarque define se a peça chega inteira à próxima temporada.

Antes de fechar a mala no hotel

O cuidado começa ainda na viagem. Roupa de neve costuma voltar úmida de neve derretida, suor e vapor. Fechada numa mala por dez ou doze horas de deslocamento, ela cria o ambiente ideal para cheiro e mofo.

No último dia, vale pendurar jaqueta, calça e luvas abertas no quarto. Bolsos e zíperes devem ficar abertos para circular o ar. Se não der tempo de secar tudo, separe as peças técnicas num saco de tecido, nunca de plástico. Ao chegar em casa, tire da mala no mesmo dia.

O que fica na roupa sem aparecer

Uma jaqueta de esqui pode parecer limpa depois de uma semana de uso. Mas três tipos de resíduo ficam no tecido mesmo sem mancha visível.

O primeiro é o protetor solar. Na neve, ele é usado em grande quantidade e acaba nas golas, nos punhos e no capuz. O segundo é a oleosidade da pele, que se acumula nas mesmas áreas. O terceiro é o suor, absorvido pela segunda pele e pelo forro.

Guardados por meses, esses resíduos oxidam. O resultado são manchas amareladas que surgem no armário, não na viagem. Por isso a regra mais importante é simples: lave antes de guardar, e não antes da próxima viagem.

Como lavar cada tipo de peça

Roupa de neve não é uma categoria única. Cada material pede um tratamento.

Jaquetas e calças impermeáveis. A maioria tem uma membrana interna e um acabamento repelente à água na face externa. Sabão em pó comum e amaciante entopem os poros da membrana e anulam o repelente. Use sabão líquido neutro ou produto específico para tecidos técnicos. Feche todos os zíperes e velcros antes de lavar.

Jaquetas de pluma. O enchimento perde volume quando fica embolado. O guia de cuidados com jaquetas do Correio Braziliense recomenda ciclo suave, peça do avesso e nada de água quente. Duas bolas de tênis limpas no tambor ajudam a redistribuir o enchimento. A secagem deve ser à sombra, em local ventilado, e precisa ser completa. Pluma úmida por dentro é o caminho mais curto para o mofo.

Segunda pele e fleece. São as peças mais simples. Aceitam máquina em ciclo delicado, mas não gostam de calor alto nem de amaciante.

Luvas, gorros e balaclavas. Costumam ser os itens mais esquecidos e os que mais acumulam suor. Lave à mão com sabão neutro e seque à sombra, com a abertura para baixo.

O detalhe da etiqueta importada

Como o Brasil não tem neve em escala turística, quase todo equipamento de esqui usado por brasileiros é importado. A etiqueta traz instruções pensadas para outro clima e, às vezes, símbolos pouco conhecidos aqui.

É por esse motivo que algumas lavanderias criaram atendimento próprio para essas peças. No Rio de Janeiro, a Dry Wash mantém um serviço de lavanderia de roupas de esqui e orienta que essas roupas sejam tratadas no começo e no fim de cada temporada. A lógica é a mesma da regra acima: a peça volta da viagem com resíduos e precisa estar limpa e seca antes de passar meses guardada.

Para quem prefere lavar em casa, a recomendação é ler a etiqueta inteira antes. Se houver dúvida entre um símbolo e outro, a opção mais conservadora é água fria e ciclo delicado.

Como guardar até o próximo inverno

Guardar bem é tão importante quanto lavar bem. Três erros aparecem com frequência.

O primeiro é o saco a vácuo. Ele economiza espaço, mas comprime a pluma e o enchimento sintético por meses. Algumas peças não recuperam o volume original, e o isolamento térmico cai. Para jaquetas acolchoadas, prefira capas de tecido respirável e espaço folgado no armário.

O segundo é o plástico de lavanderia ou de loja. Ele retém umidade. Em cidades úmidas, isso basta para surgir mofo na gola ou no forro.

O terceiro é o fundo do armário encostado na parede. Paredes frias acumulam condensação. Deixe as peças em cabides largos, longe da parede, e abra o armário de vez em quando.

Uma lista rápida para conferir antes de guardar:

  • peça lavada e totalmente seca, inclusive por dentro;
  • zíperes fechados para não deformar o tecido;
  • bolsos vazios, sem lenço de papel ou protetor labial;
  • capa de tecido, nunca plástico;
  • sachê antimofo ou sílica no armário, trocado a cada poucos meses.

Na hora de usar de novo

Antes da próxima viagem, tire as peças do armário com algumas semanas de antecedência. Confira cheiro, manchas e o estado dos zíperes. Teste o repelente com algumas gotas de água: se elas forem absorvidas em vez de escorrer, o acabamento precisa ser reativado ou reaplicado.

Esse cuidado evita uma surpresa comum: descobrir no hotel, a dois mil metros de altitude, que a jaqueta está manchada ou com o zíper travado.

Perguntas frequentes

Posso lavar jaqueta de esqui na máquina?

Muitas aceitam, mas depende da etiqueta. Use ciclo delicado, sabão neutro líquido e nenhum amaciante. Feche todos os zíperes antes.

Preciso lavar a roupa de neve mesmo usando só uma semana?

Sim. Protetor solar, suor e oleosidade ficam no tecido mesmo sem mancha visível. Com meses de armário, esses resíduos amarelam.

Saco a vácuo estraga jaqueta de pluma?

Pode estragar. A compressão longa reduz o volume do enchimento e o isolamento térmico. Para peças acolchoadas, prefira capa de tecido e espaço folgado.

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