Agropecuária é o setor que reúne agricultura e pecuária, e foi ele o principal responsável pelo crescimento da economia brasileira. Segundo informativo do IBGE, o PIB cresceu 2,3% em 2025, quinto ano seguido de expansão, ainda que abaixo dos 3,4% registrados em 2024. A agropecuária respondeu por cerca de um terço desse crescimento, puxada por safras recordes de milho e soja, enquanto indústria, comércio, serviços e construção avançaram menos, todos com taxas abaixo de 2%.
Esse desempenho aparece detalhado em várias pesquisas do IBGE, cada uma com sua própria unidade de medida e seu próprio ano de referência, grãos em toneladas, carnes em cabeças abatidas e toneladas de carcaça, leite em litros captados pela indústria, ovos em dúzias produzidas, e valor de produção em reais para alguns itens específicos.
Ter tantas fontes distintas sobre a agropecuária brasileira em um único ano não é comum, e é justamente essa disponibilidade de dados que permite montar, para 2025, um retrato bem mais completo do desempenho do setor do que apenas o valor de produção em reais permitiria isoladamente.
Leite tem recorde de produção
Dentro da pecuária, um dos ramos da agropecuária, a Pesquisa Trimestral do Leite, também iniciada em 1997, mostra que a aquisição de leite cru pela indústria fechou 2025 com crescimento. Estabelecimentos de industrialização sob fiscalização sanitária captaram 27,5 bilhões de litros no ano, alta de 8,5% sobre 2024, o maior volume da série histórica, superando o recorde anterior, de 25,6 bilhões de litros em 2020.
Foi o terceiro ano consecutivo de crescimento na captação de leite, depois de dois anos seguidos de queda. Todos os meses de 2025 tiveram variação positiva em relação a 2024, com outubro se destacando por um aumento de 276,6 milhões de litros na comparação mensal.
Já no segundo trimestre de 2026, dado ainda mais recente de Primeiros Resultados da mesma pesquisa, a indústria adquiriu 6.613.992 mil litros de leite cru, sendo 2.163.559 mil litros no primeiro mês do trimestre, 2.231.420 no segundo e 2.219.013 no terceiro, e industrializou 6.609.303 mil litros no total do trimestre.
Produção de ovos também alcança novo recorde
Também dentro da pecuária, a pesquisa Produção de Ovos de Galinha (POG), que investiga estabelecimentos com capacidade de alojamento de 10 mil ou mais galinhas poedeiras e matrizeiras, contabilizou 4,9 bilhões de dúzias produzidas em 2025, crescimento de 5,7% sobre o ano anterior e novo recorde da série histórica do levantamento.
No segundo trimestre de 2026, o mesmo tipo de levantamento trimestral de Primeiros Resultados registrou 1.247.155 mil dúzias de ovos produzidas, sendo 411.823 mil dúzias no primeiro mês do trimestre, 417.956 no segundo e 417.375 no terceiro.
Café, cana e soja

Além dessas pesquisas de volume físico, o IBGE também calcula o valor da produção agropecuária em reais, multiplicando quantidade produzida por preço médio recebido pelo produtor, com ano de referência 2024 como o mais recente disponível nesse indicador específico.
Nesse cálculo, o valor da produção de café saltou de 43,78 bilhões de reais em 2023 para 69,20 bilhões de reais em 2024, alta de 58,1%, a maior entre os itens acompanhados. A cana-de-açúcar teve alta mais moderada, de 101.878.311 mil para 104.971.298 mil reais, cerca de 3%. Já a soja teve o maior recuo, de 348.683.454 mil para 260.233.510 mil reais, queda de 25,4%, mesmo com o recorde de volume físico que a mesma cultura alcançaria no ano seguinte, segundo o LSPA.
O milho também recuou nesse indicador de valor, de 101.824.686 mil para 88.118.085 mil reais, queda de 13,5%. A laranja teve alta expressiva, de 20.020.619 mil para 28.499.994 mil reais, e a banana cresceu de 13.948.838 mil para 16.062.591 mil reais no mesmo período. O valor de produção em reais combina quantidade colhida e preço médio recebido pelo produtor em um único número, por isso funciona como mais uma peça do retrato da agropecuária, ao lado do volume físico medido em toneladas por outras pesquisas do IBGE, e não como o indicador definitivo do desempenho de cada cultura isoladamente.
Agropecuária: grãos batem recorde histórico
Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a produção nacional de grãos em 2025 foi de 346,1 milhões de toneladas, 18,2% maior que a obtida em 2024, de 292,7 milhões de toneladas. É um crescimento de 53,4 milhões de toneladas em um único ano, recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 1975.
O IBGE atribui esse resultado às condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras e à expansão da área plantada. As lavouras de segunda safra foram beneficiadas por chuvas abundantes e bem distribuídas, o que ajudou o país a bater recorde de produção em soja, milho segunda safra, algodão e sorgo.
A produção de grãos cresceu em todas as grandes regiões em 2025, mas em ritmos diferentes. O Centro-Oeste liderou, com alta de 23,6%, seguido pelo Norte, com 22,7%, e pelo Sudeste, com 20,5%. Sul e Nordeste tiveram os menores avanços, de 10,2% e 7,6%, respectivamente. Na distribuição por estado, o Mato Grosso segue como maior produtor, com 32,0% do total, seguido por Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%), que juntos somaram 79,6% da produção nacional.
Entre os grãos, a soja é o destaque de 2025, com novo recorde histórico de 166,1 milhões de toneladas, alta de 14,6% sobre o ano anterior, cultivada em 47,8 milhões de hectares e responsável por quase metade de todo o total de cereais, leguminosas e oleaginosas do país. O IBGE registra, porém, problemas climáticos que reduziram a produtividade da soja no oeste do Paraná, no sul do Mato Grosso do Sul e, principalmente, no Rio Grande do Sul.
Abate de animais também bate recorde
A Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, iniciada em 1997, mostra que os abates de bovinos, suínos e frangos em estabelecimentos sob fiscalização sanitária federal, estadual ou municipal atingiram, em 2025, os maiores níveis da série histórica, resultando em produção recorde de carnes no país.
No abate de bovinos, bois, vacas, novilhos e novilhas, foram 42,9 milhões de cabeças em 2025, alta de 8,2% sobre o ano anterior, gerando 11,1 milhões de toneladas de carcaça, o maior valor já registrado na série. É um contraste importante com o rebanho vivo de bovinos, que teve leve recuo entre 2023 e 2024, o que mostra que rebanho vivo e volume abatido são indicadores diferentes dentro da agropecuária e não crescem necessariamente juntos.
Um rebanho vivo relativamente estável, combinado a um abate recorde, indica reposição mais rápida dos animais e mudança no ritmo de exportação e consumo interno de carne, dois efeitos que costumam andar juntos quando o ciclo pecuário está em fase de alta produtividade.
Os abates de suínos e de frangos cresceram em ritmo mais moderado, de 4,3% e 3,1%, respectivamente. Foram 60,7 milhões de cabeças de suínos abatidas, gerando 5,7 milhões de toneladas de carcaça, e 6,7 bilhões de frangos abatidos, aves jovens, galos e galinhas, resultando em 14,3 milhões de toneladas de carcaça.
Rebanho vivo do Brasil
Diferente do abate, que já tem números recordes de 2025, o rebanho vivo do país, outro indicador clássico da pecuária dentro da agropecuária, tem 2024 como ano de referência mais recente nesse painel específico do IBGE. O número de cabeças de bovinos recuou ligeiramente, de 238.620.910 em 2023 para 238.180.757 em 2024. O rebanho de suínos cresceu, de 43.124.200 para 43.914.785 cabeças, e o de galináceos avançou de 1.554.373.567 para 1.581.215.552 cabeças.
A produção anual de leite calculada por essa mesma fonte, distinta da Pesquisa Trimestral do Leite citada acima, também cresceu, de 35.248.212 mil litros em 2023 para 35.743.862 mil litros em 2024. A produção anual de ovos, nessa fonte, subiu de 4.981.477 mil dúzias em 2023 para 5.409.429 mil dúzias em 2024, números bem menores que os 4,9 bilhões de dúzias da pesquisa POG para 2025, o que reforça que se trata de levantamentos diferentes, com metodologias e público de estabelecimentos pesquisados distintos.
Um retrato da agropecuária nacional
Reunidos, os números do IBGE mostram uma agropecuária brasileira que teve, em 2025, o melhor ano de produção física de grãos, carnes, leite e ovos da série histórica de cada pesquisa, e que foi o principal motor do crescimento do PIB naquele ano. Ao mesmo tempo, o valor de produção em reais de itens como soja e milho, calculado para 2023 e 2024, recuou, um sinal de que quantidade recorde e valor financeiro nem sempre caminham juntos no mesmo período.
Essa combinação de fontes, cada uma com seu ano de referência, é o retrato mais completo disponível sobre a agropecuária brasileira neste momento, e mostra um setor que avança em ritmos diferentes conforme o indicador observado, do grão colhido ao boi abatido, passando pelo litro de leite captado e pela dúzia de ovos embalada.
O peso da agropecuária no PIB de 2025 confirma um padrão observado em outros anos recentes, o de que o desempenho da lavoura e da pecuária pode compensar um crescimento mais fraco da indústria, do comércio, dos serviços e da construção civil. Foi justamente essa combinação que sustentou os 2,3% de expansão da economia brasileira no ano, mesmo com quatro dos cinco grandes setores avançando abaixo de 2%.
O crescimento do PIB em 2025 e a participação da agropecuária nesse resultado vêm de informativo do IBGE disponível na Biblioteca do instituto. A produção física de grãos e soja em 2025 vem do LSPA. Os dados de abate de bovinos, suínos e frangos em 2025 vêm da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, iniciada em 1997. Os dados de captação de leite em 2025 e no segundo trimestre de 2026 vêm da Pesquisa Trimestral do Leite, também iniciada em 1997. Os dados de ovos em 2025 vêm da pesquisa POG, e os do segundo trimestre de 2026, do levantamento trimestral de Primeiros Resultados do IBGE.
Os valores de produção agropecuária em reais para café, cana-de-açúcar, soja, milho, laranja e banana, assim como os dados anuais de rebanho de bovinos, suínos e galináceos e de produção anual de leite e ovos, vêm de outro painel do IBGE, com 2024 identificado como “Último” no próprio documento e 2023 como “Anterior”.
A data de corte varia por indicador: 2025 para PIB, grãos, abate de animais, leite e ovos das pesquisas trimestrais anuais; segundo trimestre de 2026 para os Primeiros Resultados de leite e ovos; e 2024 para valor de produção agropecuária e rebanho vivo. A atualização deste texto ocorreu em 7 de setembro de 2026, data de fechamento desta edição de News e você.
Novos levantamentos sobre a agropecuária brasileira são divulgados periodicamente pelo IBGE em seus canais oficiais, e devem trazer, nas próximas edições, dados ainda mais recentes de grãos, abate, leite e ovos para os trimestres seguintes.
Tourdabel