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saúde da mulher

Outubro Rosa 2026: veja números do câncer de mama em São Paulo

Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre o câncer de mama, e é justamente nesse período que voltam a circular os números de incidência calculados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para 2026, o Inca estima 20.820 novos casos de câncer de mama feminino em São Paulo, o equivalente a uma taxa bruta de 87,34 casos a cada 100 mil mulheres e uma taxa ajustada de 57,07. Esse número é uma estimativa de incidência, calculada a partir de séries históricas, e não uma contagem de diagnósticos já confirmados.

No Brasil como um todo, a estimativa do Inca para 2026 é de 78.610 novos casos de câncer de mama feminino, com taxa bruta de 71,57 e taxa ajustada de 42,50 por 100 mil mulheres. São Paulo concentra, portanto, cerca de 26,5% da estimativa nacional para essa neoplasia, a maior participação estadual entre as 27 unidades da federação no cálculo do Inca.

Durante o Outubro Rosa, esses números circulam amplamente em campanhas de conscientização, peças publicitárias e reportagens, com o objetivo de estimular a busca por orientação médica sobre prevenção e diagnóstico precoce.

Outubro Rosa: mama segue como o câncer mais estimado

câncer de mama

Segundo o Inca, o câncer de mama feminino é o tipo de câncer com maior número de casos novos estimados entre mulheres no Brasil, tanto em São Paulo quanto no país como um todo. Em São Paulo, os 20.820 casos estimados de mama feminina superam os 16.130 de cólon e reto e os 8.570 de traqueia, brônquio e pulmão, as duas neoplasias seguintes mais estimadas entre mulheres no estado.

No Brasil, a mesma ordem se repete, com folga. Depois da mama feminina, com 78.610 casos estimados, aparecem cólon e reto, com 27.540, colo do útero, com 19.310, e traqueia, brônquio e pulmão, com 16.650 casos estimados entre mulheres. A glândula tireoide, com 13.310 casos, e o corpo do útero, com 9.650, completam a lista das neoplasias mais estimadas entre mulheres no país para 2026.

Essa distância entre o câncer de mama e as demais neoplasias femininas se repete em praticamente todos os estados, o que reforça por que campanhas como o Outubro Rosa concentram tanta atenção nesse tipo específico de câncer, e não em outros que também afetam um número relevante de mulheres todos os anos.

Para efeito de comparação, o câncer de próstata, o mais estimado entre os homens, soma 77.920 casos no Brasil e 19.590 em São Paulo para 2026, números bem próximos aos do câncer de mama feminino. Juntos, mama feminina e próstata respondem pela maior fatia das estimativas de câncer no país, à frente de todas as demais localizações primárias listadas pelo Inca.

Somando as neoplasias mais estimadas em ambos os sexos, mama feminina, próstata, cólon e reto, e traqueia, brônquio e pulmão concentram boa parte de toda a carga de câncer estimada pelo Inca para 2026, tanto em São Paulo quanto no Brasil como um todo.

Esse panorama ajuda a situar o câncer de mama feminino dentro do conjunto mais amplo de neoplasias que afetam a população brasileira, e explica por que ele costuma abrir espaço de destaque em campanhas de saúde pública ao longo do ano, além do próprio mês de outubro.

No total de casos de câncer, somando homens e mulheres e excluindo pele não melanoma, a estimativa do Inca para São Paulo em 2026 é de 132.500 novos casos, com taxa bruta de 286,93 e taxa ajustada de 197,47 por 100 mil habitantes. No Brasil, a estimativa total é de 517.770 casos, taxa bruta de 241,71 e taxa ajustada de 158,12.

Colocando os números lado a lado, São Paulo responde por cerca de 25,6% do total de casos de câncer estimados no país para 2026, um percentual próximo ao de participação do estado na estimativa específica de câncer de mama feminino.

Outubro Rosa: como São Paulo se compara a outros estados

outubro rosa

Além de São Paulo, com 20.820 casos estimados, outros estados aparecem entre os que mais concentram estimativas de câncer de mama feminino para 2026, segundo o Inca. O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 10.360 casos estimados, seguido por Minas Gerais, com 8.430.

Bahia, Santa Catarina e Paraná formam o grupo seguinte, com 4.480, 4.460 e 4.300 casos estimados, respectivamente, números bem próximos entre si apesar das diferenças de população entre esses três estados. Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará aparecem na sequência, com 3.790, 3.190 e 3.250 casos estimados, completando o grupo de estados com mais de três mil casos projetados para 2026.

Na outra ponta da tabela do Inca, Acre, Amapá e Roraima aparecem com os menores números absolutos de casos estimados, com 100, 110 e 110 casos, respectivamente, refletindo a população bem menor desses estados.

Essa comparação por número absoluto de casos reflete, em boa parte, o tamanho da população de cada estado. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre os estados mais populosos do país, o que naturalmente eleva o número de casos estimados em comparação com estados menores.

Somados, os seis estados com maior número de casos estimados de câncer de mama feminino, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Paraná, concentram cerca de 67% de toda a estimativa nacional para 2026, um reflexo direto de como a população brasileira está distribuída entre as regiões do país.

Prevenção ao câncer de mama: da mamografia aos fatores de risco que pesam no diagnóstico

Prevenção e diagnóstico precoce são os dois pilares que o Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda para reduzir o impacto do câncer de mama no Brasil. O rastreamento de rotina pelo SUS é indicado para mulheres de 50 a 74 anos, com mamografia a cada dois anos, faixa etária em que a doença é mais frequente e o exame traz o melhor equilíbrio entre benefícios e riscos.

Mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74, sem sintomas, também podem fazer a mamografia por demanda, desde que conversem antes com o profissional de saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS) sobre os benefícios e as limitações do exame nessas idades. Já quem apresenta sinais suspeitos deve procurar a UBS para uma mamografia diagnóstica, em qualquer idade, sem esperar pela convocação de rotina. O acesso ao exame é garantido pelo SUS em todo o país, e é justamente esse acesso regular que sustenta a estratégia de prevenção adotada pelo sistema público de saúde.

Sinais que pedem avaliação médica urgente

Além da mamografia periódica, a prevenção passa por conhecer os sinais que o Inca classifica como critérios de referência urgente para avaliação médica. Entre eles estão qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos, e, em mulheres com mais de 30 anos, um nódulo que persiste por mais de um ciclo menstrual.

Também entram nessa lista um nódulo de consistência endurecida e fixo, ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade, uma secreção sanguinolenta que sai de um único mamilo, mudança no formato do mamilo com retração da pele da mama, e uma lesão na pele que lembra alergia ou micose, mas não melhora com pomadas comuns.

Em homens com mais de 50 anos, um caroço que pode ser sentido em apenas uma das mamas também exige avaliação. Completam a lista ínguas ou caroços perceptíveis na axila e o aumento progressivo do tamanho da mama acompanhado de inchaço, com a pele adquirindo aspecto de casca de laranja.

A maioria dos nódulos identificados é benigna, mas apenas a avaliação médica confirma isso caso a caso. Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é procurar o serviço de saúde sem demora, já que investigar cedo faz diferença direta no resultado do tratamento. Reconhecer esses sinais é uma das formas mais simples de prevenção ao alcance de qualquer pessoa.

Fatores de risco: o que a prevenção precisa considerar

A prevenção do câncer de mama passa por conhecer os fatores que aumentam o risco da doença, além dos sinais de alerta e da mamografia periódica. O prognóstico e o tratamento são definidos pela localização do tumor, pela idade da paciente no momento do diagnóstico e pelo estadiamento da doença, além de critérios histopatológicos, biológicos, moleculares e genéticos avaliados em cada caso. De forma geral, o prognóstico é mais favorável quando o câncer é diagnosticado e tratado precocemente, em comparação aos casos identificados em estágios mais avançados ou já com metástase.

A idade é o principal fator de risco para o câncer de mama feminino. As taxas de incidência aumentam a partir dos 40 anos, e, no Brasil, a média de idade ao diagnóstico é de 54 anos. Outros fatores de risco estabelecidos incluem aspectos da vida reprodutiva da mulher, como menarca precoce, nuliparidade, primeira gestação a termo depois dos 30 anos, menopausa tardia e terapia de reposição hormonal, além de alta densidade do tecido mamário, obesidade, urbanização e maior status socioeconômico.

A história familiar de câncer de mama também influencia o risco. Ele aumenta em 5,5% para mulheres com um parente de primeiro grau afetado pela doença, e em 13,3% para aquelas com dois parentes de primeiro grau diagnosticados. Conhecer esse histórico faz parte da própria estratégia de prevenção, porque ajuda o profissional de saúde a orientar cada mulher sobre a idade certa de iniciar o acompanhamento. Identificar esses fatores de risco cedo, junto ao diagnóstico precoce, é o que torna a Atenção Primária à Saúde essencial para melhores resultados no tratamento e no prognóstico dos casos.

Como é feito o diagnóstico do câncer de mama

A extensão do câncer e sua disseminação no momento do diagnóstico determinam o estadiamento da doença, etapa essencial para orientar as opções de tratamento e o prognóstico. O diagnóstico começa por uma avaliação clínica completa, com exame físico detalhado, em que o profissional observa possíveis sinais da doença nas regiões da axila, do pescoço e acima da clavícula, além de auscultar os pulmões e palpar fígado, quadril e coluna em busca de sinais de metástase.

Essa etapa não substitui a prevenção pela mamografia, mas complementa o rastreamento quando já há suspeita clínica. O diagnóstico segue os protocolos de investigação estabelecidos pelo Inca, que se aplicam tanto a mulheres com menos de 30 anos quanto às que têm 30 anos ou mais, com parâmetros técnicos próprios para cada faixa. A biópsia é indicada quando o exame físico, a mamografia ou outros exames complementares, como a ultrassonografia mamária, mostram achados suspeitos. O objetivo é obter material suficiente para o diagnóstico definitivo, permitindo classificar a neoplasia e avaliar os parâmetros que vão definir o melhor tratamento para cada paciente.

Cirurgia e reconstrução mamária pelo SUS

O tratamento cirúrgico continua sendo a principal abordagem do câncer de mama e pode ser conservador, quando é possível preservar parte da mama, ou radical, quando há necessidade de remoção total. O procedimento envolve a intervenção na própria mama, com remoção do tumor e reconstrução, e a intervenção na axila, com avaliação e eventual retirada de linfonodos. Tumores iniciais, especialmente os que podem ser tratados com cirurgia conservadora, costumam receber essa abordagem como primeira opção, e os procedimentos atuais são menos invasivos e mais estéticos sem comprometer os resultados de cura.

O Ministério da Saúde ampliou o acesso à reconstrução mamária dentro do SUS pela Portaria GM/MS nº 127/2023, voltada a mulheres com diagnóstico de câncer de mama submetidas a mastectomia total, radical ou simples, previamente, ou com indicação de reconstrução no mesmo ato cirúrgico da mastectomia. A portaria habilita hospitais já credenciados em alta complexidade oncológica no SUS a realizar o procedimento de reconstrução mamária pós-mastectomia total, ampliando o número de mulheres atendidas com esse tipo de cirurgia depois do tratamento. Essa garantia faz parte do mesmo compromisso de acesso completo e gratuito que sustenta a política de prevenção e cuidado do SUS para o câncer de mama.

Radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia

A radioterapia faz parte do tratamento locorregional dos tumores de mama, com indicações que variam conforme o estágio da doença e o tipo de cirurgia realizada, e tem como objetivo eliminar possíveis células tumorais remanescentes e reduzir o risco de a doença voltar. A quimioterapia usa fármacos que podem ser administrados por via venosa, oral ou subcutânea, de forma isolada ou combinada, para impedir ou reduzir a disseminação de células tumorais, diminuir o tamanho do tumor ou impedir seu crescimento.

Ela pode ser aplicada antes da cirurgia, para reduzir o tumor, depois da cirurgia, para eliminar células residuais, ou de forma paliativa, para controlar a doença em estágio avançado e aliviar sintomas, sempre com efeitos colaterais monitorados pela equipe médica conforme a tolerância de cada paciente. Já a hormonioterapia é indicada quando o tumor apresenta receptores hormonais positivos para estrogênio e progesterona, identificados por exame de imunohistoquímica, e atua bloqueando a ligação desses hormônios às células tumorais ou reduzindo a produção hormonal do próprio organismo, com o esquema escolhido conforme o status menopausal da paciente.

Pela Lei dos 60 dias, o tratamento do câncer de mama deve começar em até 60 dias após o diagnóstico confirmado, conduzido em centros especializados de referência com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar responsável por todas as etapas, do exame à reabilitação da paciente. Esse prazo legal existe justamente para que a prevenção e o diagnóstico precoce não percam efeito por demora no início do tratamento.

Cada mulher tem um papel na própria prevenção

O câncer de mama tem cura, principalmente quando descoberto no início. Tumores pequenos e localizados respondem melhor ao tratamento e têm taxas de cura mais altas do que os identificados em estágio avançado, o que reforça por que a prevenção pela mamografia, pela atenção aos sinais do corpo e pelo conhecimento dos próprios fatores de risco importa tanto quanto o tratamento em si.

Nenhuma mulher precisa lidar sozinha com essas decisões. O SUS oferece o caminho completo, do exame ao tratamento, de forma gratuita, e o profissional de saúde da UBS é o ponto de partida para tirar dúvidas sobre a idade certa de começar o rastreamento, sobre os fatores de risco pessoais e sobre qualquer mudança percebida no corpo. Incentivar outras mulheres da família e do convívio próximo a seguir a mesma rotina de prevenção também faz parte do cuidado coletivo que o SUS recomenda, assim como compartilhar informação correta sobre os fatores de risco e os sinais de alerta descritos nesta reportagem.

Campanhas como o Outubro Rosa ajudam a lembrar essas orientações todos os anos, mas a atenção à saúde da mama, segundo o SUS, deve ser mantida ao longo de todo o ano, não apenas durante o mês de conscientização.

O Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, no fim da década de 1990, e se espalhou por diversos países como símbolo de campanhas anuais de conscientização sobre o câncer de mama. No Brasil, a cor rosa passou a identificar ações de saúde pública, iluminação de prédios e monumentos, e materiais educativos voltados à população feminina durante todo o mês de outubro.

O que é uma estimativa de câncer segundo o Inca

As estimativas do Inca são projeções estatísticas do número de casos novos de câncer que devem ocorrer em determinado ano, calculadas a partir de séries históricas de registros de câncer de base populacional e de mortalidade. Funcionam como ferramenta de planejamento para a saúde pública dimensionar leitos, exames e equipes especializadas em cada estado.

Por isso, o número de uma estimativa pode ser maior ou menor do que os diagnósticos que de fato serão confirmados naquele ano em hospitais e laboratórios do país. O Inca calcula essas projeções separadamente para cada tipo de câncer, por sexo e por unidade da federação, o que permite comparar São Paulo com o restante do Brasil e com outros estados.

O instituto também publica dois indicadores complementares para cada estimativa, a taxa bruta e a taxa ajustada de incidência, que ajudam a interpretar o tamanho real do problema em cada região, além do número absoluto de casos. É sobre essa diferença que trata a próxima seção desta reportagem.

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